Música na idade da pedra
October 10, 2007São Paulo - Balanço da Associação AntiPirataria de Cinema e Música (APCM) aponta mudança na postura do órgão, que se foca em sites antes ignorados.
Os fóruns e redes P2P são o novo alvo das ações antipirataria no Brasil, em uma nova tática da Associação Antipirataria de Cinema e Música (APCM). O IDG Now! teve acesso, com exclusividade, as ações de repreensão à pirataria digital no país.
Os dados mostram que a associação reduziu o envio de cartas de ameaça a serviços online onde usuários oferecem conteúdo multimídia sem pagamento de direitos autorais na internet e passou a combater os fóruns e redes P2P, em um reflexo da criação de um órgão para investigar e retirar do ar conteúdos publicados ilegalmente online.
Em agosto, 1.823 arquivos arquivos de filmes que já haviam estreado nas salas de cinema foram retirados do ar. Esse número é quase três vezes maior ao registrado em julho (653) e 300 vezes a mais que do que em janeiro de 2007.
“Com a criação efetivamente de uma gerência para lidar com a questão no Brasil, as ações ganharam um gás novo”, assume Ygor Valério, coordenador de antipirataria na internet da APCM e líder do departamento responsável pela ações.
O número de ofertas de produtos vendidos em sites de leilão que infringem direitos autorais chegou a 139 em agosto, mais que o dobro das 53 tirados do ar em julho. A categoria, no entanto, teve o ápice de suas ações em maio, quando 578 ofertas foram retiradas do ar.
Há também as categorias de serviços online onde é impossível fazer comparações em razão do ineditismo das ações antipirataria no Brasil, como é o caso de fóruns e redes P2P.
Em agosto, foram 537 discussões em fóruns retiradas do ar, que ofereciam álbuns de música e filmes completos. Já as redes P2P, como Kazaa e LimeWire, tiveram 692 ações durante junho, primeiro mês com movimentação antipirataria.
Dois meses após a ação, em agosto, o número de ações nas redes cresceu 166%, quando foram registradas 8.727 ações.
Junto ao aumento nas ações em determinados serviços, a APCM registra a diminuição em ações tradicionalmente relacionadas ao combate de instituições internacionais, como a Motion Picture of America (MPA) ou a Recording Industry Association of America (RIAA).
O principal indicativo é a queda no número de cartas de “cease and desist”, em que as organizações ameaçam judicialmente os responsáveis por prover ferramentas, como blogs, onde o conteúdo gratuitamente é oferecido.
Em janeiro de 2007, foram enviados 3.218 documentos para serviços onlines, quase quinze vezes mais que os 213 registrados durante o mês de agosto, segundo os dados da APCM.
A mesma mudança pode ser expressada no número de páginas pessoais tiradas do ar - o número em questão caiu de 1.199 em fevereiro para 176 em agosto.
Mesmo em serviços com números de apreensão já altos, como é o exemplo de sites que armazenam arquivos sem exigir o cadastro de usuários, o número de apreensões cresceu consideravelmente.
Chamados de “cyberlockers”, sites como RapidShare e MegaUpload tiveram 8.727 arquivos retirados do ar em agosto, crescimento de 166% comparado aos 3.275 casos registrados em julho.
Fonte: IDG Now!
Esses dias vi no jornal da globo uma reportagem sobre a pirataria. Primeiro disse sobre o Tropa de elite, filme que tenho minhas duvidas se seu vazamento não foi cuidadosamente calculado, depois falava sobre a pirataria online, concluindo que a solução para curto prazo seria a repressão. Com uma rápida pesquisa no google é possível achar outras reportagens a respeito, como essa que coloquei acima.
Me pergunto: Onde essas gravadoras querem chegar? Com quem eles acham que estão falando? Alguêm aí acha que alguma coisa vai conseguir controlar a internet?
A 10 anos atrás, onde cada um comprava o seu LP e ia para casa ouvi-lo, a indústria fonográfica mandava em tudo, tinha total controle do que saia para o publico. Somente com a chegada do cassete que as pessoas poderiam gravar e “piratear” musicas, mas somente com o CD, que surgiu praticamente junto com a internet, que a indústria fonográfica realmente sentiu a porrada.
Mas até agora não entenderam que seu modelo de negocio não funciona mais. Primeiro que hoje temos milhões de tipos de players de mp3, poucos ainda se contentam com 20 musicas de cada vez, mesmo não tenham um mp3 player, imagino que o numero de pessoas que, em seu momento de lazer, pega um cd para ouvir em seu microsystem seria muito menor do que o numero de pessoas que liga o seu player do computador, ou seja, quem ainda compra cd? Eu não tenho acesso a dados concretos mas imagino que o numero é infinitamente menor se comparado com os downloads, desses que compram, quantos compram um original? Eu não acho 50 reais por um cd original um preço.. assim… justo.
Segundo que, vejo que as posições das bandas já estão mudando, vide Radiohead, pois pelo que eu sei os contratos com gravadoras nunca foi assim muito bom para os artistas, mas esses não tinham muitas opções. Principalmente para divulgar suas músicas, que hoje, com a internet ficou muito fácil, os artistas tem acesso direto a seus fãs.
E o que sobra para as gravadoras? Tentar defender o que elas tem, os direitos sobre seus artistas. Por isso tudo que vemos é essa tentativa desesperada de tirar tudo do ar, e processar usuários. Nos EUA a RIAA tem 16 mil processos contra usuários comuns. Se antes funcionasse, mas sempre teremos milhões colocando de novo. O pior é a tentativa de se atualizar vendendo mp3 com DRM, como se tivesse alguma vantagem em pagar por um arquivo que não poderia ser manipulado para uso particular.Acho que isso só mudará quando os velhos que lá estão forem substituidos por novas cabeças, estas que cresceram já na era da internet, prontas para atualizar a máfia.
Pelo menos há os que já acordaram para o mundo, não que liberaram mp3 por aí, sem o famoso DRM, não sei se eu compraria cds em mp3 por aí, mas até que o preço me parece mais justo. Acho que as bandas deveriam ganhar pelos seus shows, pois isso sim vale a pena pagar, ver o seu artista lá, ao vivo, cds e mp3 poderiam ser gratuitos, como creative commons, pois vira uma forma de divulgar sua musica e de conquistar novos fãs.
Uns dos primeiros a se anunciar contra o DRM foi o Steve Jobs, depois a loja da Amazon que não tem burocracias nem bloqueios. Mas o melhor foi o que Ian Rogers, do Yahoo! Music disse:
I’m here to tell you today that I for one am no longer going to fall into this trap. If the licensing labels offer their content to Yahoo! put more barriers in front of the users, I’m not interested. Do what you feel you need to do for your business, I’ll be polite, say thank you, and decline to sign. I won’t let Yahoo! invest any more money in consumer inconvenience. I will tell Yahoo! to give the money they were going to give me to build awesome media applications to Yahoo! Mail or Answers or some other deserving endeavor. I personally don’t have any more time to give and can’t bear to see any more money spent on pathetic attempts for control instead of building consumer value. Life’s too short. I want to delight consumers, not bum them out.
Ele quis dizer que as gravadoras que não abandonarem o DRM, não irão vender no yahoo, o primeiro e maior site de música nos Estados Unidos.
Bom, para nós aqui do Brasil, onde o Cd é realmente caro, não nos resta nada além de baixar por aí, pois essas lojas não devem chegar tão cedo aqui. Só não aconselho a pagar por um cd pirata.
Referencias do mind.flush.
