Lula nega estouro no orçamento do Pan
March 10, 2007Lula nega estouro no orçamento do Pan, mesmo com aumento oficial
RIO DE JANEIRO (Reuters) - Maior responsável pelo financiamento dos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, o governo federal descartou nesta quarta-feira que tenha havido um estouro no orçamento do evento, apesar da confirmação oficial de que o Pan custará ao menos 3,25 bilhões de reais aos cofres públicos, contra 949 milhões de reais previstos em documento divulgado pelo comitê organizador em 2005.
Com investimento declarado de 1,65 bilhão de reais, a União assumiu mais de 50 por cento do custo total dos Jogos, que serão financiados ainda com 1,2 bilhão de reais da prefeitura e 400 milhões de reais do Estado, segundo disseram autoridades governamentais à Reuters.
Além da parte prevista na divisão orçamentária inicial, o governo federal cobriu mais de 200 milhões de responsabilidade dos outros dois órgãos pagadores.
"Eu acho totalmente infundado e absurdo imaginar que estamos gastando 10 vezes mais. Nós estamos gastando o custo que foi apresentado como parte do governo federal, e obviamente que nós temos que defender o nome do país, porque quando for aberto os Jogos Pan-Americanos o que vai ficar é a imagem do Brasil", afirmou nesta quarta-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cerimônia no Maracanã, quando assinou a liberação de 100 milhões de reais para cobrir custos do Estado no ginásio Maracanãzinho.
Reportagem do jornal Folha de S. Paulo publicada nesta quarta-feira informa que em 2002 o orçamento do Pan enviado à organização Desportiva Pan-Americana (Odepa) era de 409 milhões de reais, o que representaria um aumento de 684 por cento em cinco anos.
Em documento de 2005 divulgado pelo Comitê Organizador do Pan-Americano (Co-Rio), uma revisão orçamentária da competição feita pela Fundação Getúlio Vargas previa gastos totais de 949 milhões de reais para a realização do Pan, que acontece entre 13 e 29 de julho deste ano.
Os novos números apontam gastos da prefeitura do Rio de 1,2 bilhão de reais, entretanto um outdoor da prefeitura em um importante viaduto da cidade afirma que o município está investindo 2 bilhões de reais no Pan, o que aumentaria o custo total dos Jogos para 4,05 bilhões de reais.
Apesar de rejeitar o estouro orçamentário, o presidente cogitou que o Tribunal de Contas investigue os gastos públicos.
"Se houve excesso, pode se discutir, o Tribunal de Contas pode investigar, mas o importante agora é começar o Pan porque falta muito pouco", afirmou.
Com a liberação de mais 100 milhões de reais, o ministro do Esporte, Orlando Silva, afirmou que o governo federal não vê mais necessidade de repassar verbas para a conclusão das obras. Sobre o aumento de custos, o ministro afirmou que os valores iniciais "foram absolutamente subestimados e houve uma revisão."
Lula justificou o grande investimento no Pan, o maior da história do país em esporte, alegando que o Rio de Janeiro ficará com legados não apenas em estruturas esportivas, mas também em questões sociais como segurança pública e educação.
Dentre o investimento do governo federal, 385 milhões de reais foram destinados à segurança do evento, e todo o programa será mantido na cidade após o término da competição.
"Os Jogos Pan-Americanos podem servir não apenas para que os nossos atletas ganhem medalha… nós temos que ver o esporte no país como uma das possibilidades de a gente ganhar os nossos adolescentes do narcotráfico e do crime organizado."
O governador Sérgio Cabral agradeceu a participação da União. "Sem dinheiro do governo federal não tinha Pan-Americano, se não fosse o apoio do presidente Lula e do ministro Orlando", afirmou Cabral. "O presidente Lula é o grande artilheiro do Pan-Americano."
(Por Pedro Fonseca)
Fonte: UOL
